Biossegurança: monitorização da autoclave

Promover a esterilização de materiais não descartáveis é uma obrigação imposta a todo o segmento de saúde. Os ambientes odontológicos, por exemplo, devem contar com uma autoclave, equipamento capaz de eliminar completamente todas as formas de microrganismos existentes no objeto por meio do calor. Em decorrência da alta temperatura há uma desnaturação das proteínas e a desestabilização da membrana citoplasmática das células microbianas.

No entanto, uma dúvida recorrente de quem diariamente realiza esterilizações está relacionada a como saber se o equipamento está funcionando corretamente. Para isso, é necessário fazer a monitorização da autoclave, procedimento que comprova a eficiência do processo de esterilização e que é uma exigência da Anvisa. O recomendado é que o teste seja feito pelo menos uma vez por semana. Já se a demanda de ciclos de esterilização for muito alta, a verificação pode acontecer até uma vez ao dia. 

A monitorização pode ser realizada utilizando indicadores biológicos e químicos e precisa ficar registrada para comprovar os resultados dos testes feitos e evitar futuros problemas com a vigilância sanitária.

Monitorização biológica

A monitorização da autoclave utilizando indicadores biológicos é a mais confiável e recomendada pelos especialistas no assunto. O processo é totalmente feito utilizando microrganismos tecnicamente preparados para a esterilização.

Os testes vêm em tubos plásticos com tampa permeável ao vapor, com uma fita impregnada com uma população conhecida de endósporos, separada do meio nutriente por uma ampola de vidro. Os endósporos utilizados são de Geobacillusstearotermophilus, bactérias altamente resistentes ao calor úmido e não são patogênicas. Desse modo, elas são utilizadas como desafio, pois uma vez tendo sido eliminados, todos os outros endósporos e formas vegetativas também foram.

A realização do teste biológico é bastante simples. Confira o passo a passo apontado abaixo:

– coloque o teste dentro do pacote junto com o material que irá passar pela esterilização;

– feche a autoclave e realize o processo de esterilização;

– após o ciclo de esterilização, aguarde entre 10 a 15 minutos para o resfriamento;

– abra o pacote e retire a ampola;

– na incubadora, coloque o indicador-teste (que passou pela esterilização) e o indicador-controle (que não passou pela autoclave). Assim, é possível testar também se a incubadora está funcionando corretamente;

– dobre a parte superior da ampola plástica, resultando na quebra do vidro interno da ampola. Isso libera o contato dos esporos ao meio de cultura;

Tome cuidado para não romper a parte plástica.

– não agite a ampola e evite derrubá-la. Além disso, sua parte superior possui um filtro que não deve ser molhado;

– verifique as amostras por quatro vezes, a cada 12 horas;

– durante as checagens, é preciso se atentar-se à coloração. A ampola esterilizada deve começar a obter uma coloração amarelada, enquanto que não foi esterilizada permanecerá com a coloração roxa. Isso indica que o processo de esterilização foi concluído corretamente;

– se as duas ampolas ficarem com a coloração amarela significa que ocorreu um crescimento de bactérias. Dessa forma, a esterilização não ocorreu da forma certa, sendo necessária a manutenção da autoclave;

– no caso dos dois indicadores ficarem roxos ao final da incubação, significa que não houve crescimento bacteriano. Isso indica que a incubadora precisa de manutenção; portanto não é possível avaliar se houve ou não a esterilização.

Atenção! A realização de testes biológicos deve ser realizada semanalmente e após cada manutenção ou suspeita de mau funcionamento.

Não se esqueça de realizar corretamente o descarte dos materiais utilizados durante o procedimento!

Monitorização química

O teste de autoclave realizado com a utilização de indicadores químicos, que testam os parâmetros físicos da autoclave, faz com que ocorra uma reação entre o meio de esterilização e o indicador, podendo assim identificar o processo como aprovado apenas se ocorrer o meio ideal para esta reação.

Os indicadores químicos são divididos em classes e geralmente são fitas de papel impregnadas com uma tinta termocrômica que muda de cor quando exposta à temperatura elevada por determinado tempo. 

As fitas podem indicar a exposição ou não ao calor (indicadores específicos de temperatura) ou ainda indicar a ação de diferentes componentes como tempo, temperatura e vapor (integradores).

Durante o procedimento devem ser colocados indicadores externos nos pacotes a serem esterilizados. Assim, é possível obter informações sobre falhas na esterilização com relação à penetração do vapor ou concentração de óxido de etileno. Para cada processo existe um tipo de indicador apropriado: autoclave, calor seco ou óxido de etileno.

Um outro teste químico utilizado é o teste de Bowie-Dick. Este método testa a eficácia do sistema de vácuo na autoclave de pré-vácuo. Para sua realização faz-se um pacote com campos empilhados um sobre o outro formando uma pilha de 25 a 28 cm de altura. No meio desta pilha coloca-se um papel com fitas de autoclave ou fitas zebradas coladas em forma de cruzes, cobrindo toda a superfície do papel. O pacote deve ser colocado acima ao dreno da autoclave.

Processa-se então um ciclo a 132º C entre três e quatro minutos. Se as fitas não apresentarem homogeneidade na coloração, ocorreu a formação de bolhas de ar e deve ser feita a revisão do equipamento. 

Este teste deve ser realizado todos os dias.