Transmitir segurança é fator essencial para a odontopediatria driblar os efeitos da pandemia

O diagnóstico, a prevenção, o tratamento e o controle dos problemas de saúde bucal de bebês, crianças e adolescentes precisaram ser totalmente adaptados pela odontopediatria em meio à pandemia da Covid-19. A doença trouxe à tona uma série de dúvidas, incertezas aos profissionais e também deixou evidente que as relações humanas já não seriam mais como antes, fazendo com que clínicas e consultórios tivessem que adotar uma nova rotina para que tanto os odontopediatras quanto pacientes sintam-se seguros durante a realização de qualquer procedimento.

O entendimento atual entre os especialistas da área é de que todas as recomendações de biossegurança adotadas até o momento vieram para ficar. “Não somente a odontopediatria, mas toda a Odontologia, passa, neste momento, por uma transformação. Os profissionais têm se adaptado a uma nova realidade e estão conscientes de que será preciso manter as estratégias de biossegurança adotadas, já que, mesmo após este período, outros vírus e bactérias irão surgir e exigir cuidados tão rigorosos como os dessa pandemia”, assegura a Dra. Maria Cecília Abrahão, vice-presidente da Associação Brasileira de Odontopediatria – Regional Distrito Federal (ABOPED-DF).

Além de exigir uma série de cuidados em biossegurança, retomar os atendimentos tem proporcionado a introdução de novos hábitos. O aplicativo WhatsApp, por exemplo, pode colaborar bastante, facilitando o contato com os pacientes antes de cada consulta, para informá-los sobre como o consultório ou a clínica tem atuado durante a pandemia e, sobretudo, transmitir confiança aos responsáveis legais e a quem será atendido. Os cirurgiões-dentistas também podem utilizar esse meio de comunicação para saber como está o quadro de saúde do paciente; caso a pessoa tenha algum sintoma relacionado à Covid-19, o atendimento deve ser postergado.

Entre as recomendações a serem compartilhadas de forma antecipada está a importância de evitar atrasos ou faltas e informar a permissão de apenas um acompanhante para cada paciente, já que a oferta de assentos disponíveis na recepção tem que ser reduzida para respeitar o distanciamento social. Também é fundamental aumentar o intervalo entre as consultas, a fim de evitar contato entre os pacientes, possíveis aglomerações.

As salas de espera nos consultórios já não podem mais contar com brinquedos ou com outros recursos lúdicos, normalmente utilizados para construir uma ponte de confiança entre as crianças e os profissionais odontopediatras. Já na sala de atendimento, não pode haver nada exposto sobre as bancadas, a não ser o material necessário devidamente esterilizado para prestar a assistência odontológica.

Além de adotar as normas de prevenção, é imprescindível estabelecer um clima de confiança mútua, ainda mais durante a pandemia. O atendimento deve ser personalizado, a fim de minimizar a ansiedade, conter a insegurança de pacientes e familiares e gerar cada vez mais empatia entre as partes. O odontopediatra precisará não só dominar os protocolos de biossegurança, mas, sobretudo, deve estar focado em um atendimento mais humanizado, respeitando as emoções das crianças com muito carinho e compreensão para ajudá-las durante a consulta”, conclui a vice-presidente da ABOPED-DF.