Protocolo para a realização de radiografias odontológicas em tempos de coronavírus

Desde o final do século XIX, os cirurgiões-dentistas contam com um aliado para fazer diagnósticos e tomar decisões de tratamento: o exame de imagem. No consultório odontológico, as radiografias periapicais são uma ferramenta de uso quase cotidiano, que devem cumprir protocolos de biossegurança a fim de reduzir e eliminar os riscos de contaminação.

Confira abaixo algumas instruções para a correta realização desses exames. São medidas necessárias e que contribuirão para minimizar de riscos de contaminação e, sobretudo, para manter a radiologia odontológica brasileira entre as mais bem preparadas do planeta.

            •          Antes de iniciar o exame radiográfico, o profissional deve vestir um jaleco descartável, máscara cirúrgica, óculos de proteção e protetor facial, lavar bem as mãos com água e sabão, secá-las, colocar luvas descartáveis, gorro ou touca. As superfícies e os componentes do aparelho radiográfico que entrarão em contato com as luvas e partes do paciente durante o exame - cabeçote, parte do braço do aparelho de raios-X, disparador, painel de controle, apoio de cabeça e acessórios do apoio de cabeça - devem ser protegidos com barreiras de material impermeável e descartável, como filmes de PVC doméstico ou sacos plásticos. Sempre que possível, o ideal é fazer esse procedimento na presença do paciente.

            •          Após colocar as luvas, não se deve tocar em mais nenhuma superfície, somente no receptor radiográfico digital, cabeçote, posicionadores e na boca do paciente.

            •          As radiografias periapicais utilizam sensores e placas de fósforo que já vêm envolvidos por barreira protetora, a qual consiste numa embalagem plástica na forma de envelope, não permitindo a entrada de luz durante o exame radiográfico. Esses receptores são reutilizados várias vezes e não podem ser autoclavados.

            •          A contaminação dos receptores digitais, no entanto, pode ocorrer no momento em que estão sendo preparados para o uso, por luvas contaminadas e/ou contato com saliva do paciente durante a remoção do envelope de barreira para processamento, ou se houver perfurações no envelope da barreira plástica protetora. O responsável pelo exame deve redobrar os cuidados nessas ocasiões.

 

            •          Encerrada a exposição à radiação, o técnico operador entra no ambiente em que se encontra o paciente para remover o receptor de imagem e o posicionador da boca do mesmo. Sobre a mesa de trabalho, o operador retira a placa de fósforo do posicionador, remove o excesso de saliva com papel toalha ou gaze e desembala o filme plástico protetor transparente sem tocar com as luvas no receptor de imagem. Este procedimento será repetido para todas as regiões do exame radiográfico solicitado.

            •          Os posicionadores devem ser submetidos a lavagem com solução aquosa de detergente com pH neutro ou enzimático e enxaguados com água corrente. Já a desinfecção deve ser realizada utilizando hipoclorito de sódio 1% ou ácido paracético a 0,2%. Logo em seguida, as peças precisam ser autoclavadas.

            •          Também deve ser realizada a desinfecção da superfície dos equipamentos que entraram em contato com o paciente utilizando hipoclorito de sódio a 1% ou álcool 70%. Borrife o produto escolhido e deixe agir por 20 segundos. Após, friccione, por 20 segundos, um pano limpo embebido em hipoclorito de sódio a 1%; caso escolha utilize álcool 70%, recomenda-se a fricção por um minuto e meio.

            •          Por fim, o técnico operador descarta as luvas utilizadas no procedimento e lava as mãos com água e sabão.

Embora a radiografia digital venha sendo mais amplamente utilizada, o uso de filmes e o processamento radiográfico analógico ainda é bastante comum na Odontologia. Pacientes e profissionais estão expostos à contaminação por meio de microrganismos potencialmente infecciosos, que podem ser transmitidos principalmente pela saliva e sangue, devido à presença nos invólucros dos filmes radiográficos.

O momento de maior risco de contaminação ocorre quando o filme intrabucal é retirado da cavidade oral do paciente pelo operador e é colocado sobre outras superfícies. Os fluidos são capazes de contaminar também os líquidos utilizados no processamento radiográfico se, durante a abertura dos invólucros, houver a contaminação do filme.

A melhor alternativa para minimizar a possibilidade de contaminação é a utilização de embalagens plásticas de polipropileno seladas, pois são de fácil manuseio e baixo custo. Uma outra opção é a imersão dos filmes periapicais em solução de álcool a 70% ou em hipoclorito de sódio a 5% por ao menos 30 segundos. O polímero utilizado para a produção dos invólucros é chamado de polietileno de baixa densidade e, após o uso, são considerados resíduos com risco biológico, devendo ser manuseados de acordo com o Plano de Gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS), o qual estipula o devido tratamento com relação a esses resíduos. Quando eliminados de forma imprudente, podem causar riscos ao meio ambiente e à saúde de animais e humanos por meio da contaminação do solo e das águas.

Outras superfícies com grande potencial de contaminação em radiologia odontológica incluem as mãos do operador e os locais por elas tocados, entre os quais o cabeçote do aparelho radiográfico; o cilindro localizador; o painel de controle; o botão disparador; a câmara escura; as soluções para o processamento radiográfico; os aventais de proteção e os equipamentos periféricos. Todos esses locais devem estar limpos, higienizados com álcool 70% e protegidos com filme de PVC.